domingo, 15 de junho de 2008

TORNANDO-SE "LEGAL": Como aprendemos a trair a nós mesmas


Reprimindo-se e calando-se: preparação para o romance

O que é que acontece com as mulheres, cedo na vida, que as torna tão cautelosas em expressar seus verdadeiros pensamentos e sentimentos, e que não só arruína a possibilidade de relacionamentos autênticos, mas lhes mutila também a capacidade de se tornarem alegremente independentes, emocional e financeiramente?
Os que estudaram apenas meninas bem jovens não encontrarão resposta a essas perguntas, porque, antes da puberdade, a maioria delas é irritável e sem papas na língua. A mudança acontece quando chegam à encruzilhada entre meninice e adolescência. Ao entrevistar meninas no limiar da adolescência, diz Carol Gilligan que teve algumas vezes a impressão de que penetrava em um submundo feminino, “e era levado por meninas para cavernas de conhecimentos que, em seguida, eram fechadas inteiramente, como se nada fosse sábio e nada estivesse acontecendo”.
O que lhe estava sendo mostrado era como meninas aprendem a não saber o que sabem – ou, basicamente, como aprendem a reprimir o lhes causa excesso de conflitos.

... No que não é de surpreender, a depressão anda de mãos dadas com a perda de auto-estima. ...

Com vistas a descobrir como meninas em crescimento mudam o método de lidar com outras pessoas, Carol Gilligan e Lyn Brown pediram-lhes que interpretassem uma das fábulas de Esopo. A fábula das toupeiras e do porco-espinho contém alguns dos problemas de relacionamento que meninas e mulheres parecem achar tão difíceis.
A novidade nesse estudo foi que as pesquisadoras pediram às meninas que, todos os anos, falassem sobre a fábula, o que lhes permitiu acompanhar as mudanças ocorridas, enquanto elas cresciam, em suas atitudes inconscientes sobre si mesmas e os outros.

O tempo estava ficando frio e um porco-espinho andava à procura de casa. Encontrou uma caverna muito boa, mas descobriu que estava ocupada por uma família de toupeiras. “Vocês se importariam se eu morasse aqui com vocês durante o inverno?”, perguntou ele às toupeiras. As generosas toupeiras disseram tudo bem, e o porco-espinho mudou-se para lá. A caverna, porém, era pequena e, todas as vezes em que se mexiam por ali, as toupeiras eram arranhadas pelos espinhos afiados do porco-espinho. Elas agüentaram esse aborrecimento enquanto puderam. Finalmente, reuniram coragem para conversar com o visitante. “Por favor”, disseram, “vá embora e nos deixe ter novamente nossa caverna só para nós”. “Oh, não!” respondeu o porco-espinho. “Este lugar é muito bom para mim.”

Aos oito anos, Jesse interpretou a situação dizendo que toupeiras e porco-espinho faziam uma péssima combinação e que, idealmente não deviam ficar juntos. A solução, pensou, era aumentar a caverna.
Um ano depois, a reação à fábula tornou-se mais equívoca. Talvez as toupeiras devessem tomar uma atitude, devessem dizer: “Sinto muito, mas, por favor, vá embora. Esta casa é minha. Não vou deixar mais que você more aqui. Por isso, vá embora.” Jesse, porém, não podia tolerar as possíveis conseqüências de uma atitude tão firme, preocupando-se com o que poderia acontecer com o porco-espinho. “É igualzinho à gente ter um bebê em casa”, disse.
Os pesquisadores dizem as vozes de pais e professores haviam sido inculcadas na fala de Jesse. “Você deve ser boazinha com seus amigos, comunicar-se com eles e não... fazer o que quer”, sumariou finalmente Jesse. Seus desejos para o porco-espinho e a toupeira eram que “fossem felizes e não tivessem que brigar mais. Eles podiam simplesmente ser amigos e ficarem assim para sempre.”
Harmonia reduziria o conflito – pelo menos o conflito de Jesse.
Ao ser entrevistada na vez seguinte, aos 11 anos, Jesse começara a considerar encontros concretos com outras pessoas como potencialmente perigosos. Nesse momento, estava disposta a ser boazinha para que os amiguinhos brincassem com ela, e não porque tivesse vontade de ser boazinha. E a reação à história do problema das toupeiras passou por uma grande mudança. Embora as toupeiras pudessem dizer “Vá embora, não quero mais você aqui”, “essa não seria uma maneira correta de fazer isso”, disse Jesse, “porque o porco-espinho se sentiria expulso”. A solução nesse momento seria tornar maior o buraco, “porque seria bom ter um vizinho em casa”.
A mudança de atitude de Jesse foi, definitivamente, para submissão. Embora dizer o que queria sobre seus sentimentos não fosse problema aos oito antos, aos nove ela começou a ter dúvidas e, aos 11, completou a repressão de sua verdade pessoal, se achava que na situação havia um conflito potencial. Se uma menina não gosta de outra, é melhor fingir que gosta.
Jesse, aos 11 anos, pode ser mais sofisticada na compreensão de si mesma e do mundo, mas também “é mais provável que ela permaneça em relacionamentos em que se sente magoada e mais disposta a calar-se, em vez de arriscar-se à perda de relacionamentos através de uma discordância pública”.
Uma mocinha perfeita em processo de formação.
Trata-se, claro, de uma questão universal, a de não trair a si mesma enquanto se relaciona honestamente com outras pessoas. O que a pesquisa mostrou, porém, foi que as mocinhas tendem a reformular o problema, que passa a ser o de reagir aos outros como eles esperam e ignorar as suas necessidades, ou reagir às suas necessidades e ignorar os outros. “A falta de solução para esse problema”, segundo Gilligan, cria “um impasse no desenvolvimento psicológico da mulher”.
O que achei espantoso no estudo de Lyn Brown e Carol Gilligan sobre meninotas como Jesse foi que a documentação que reuniram sobre a confusão da infância tivesse mudado pouco, tanto quanto eu podia ver, desde o tempo em que era uma garota. O livro que as duas escreveram sobre o estudo, Meeting at the Crossroads, reavivou em mim recordações desagradáveis, que havia afastado da mente, tão dolorosas eram. O estudo de Brown e Gilligan me permitiria compreender como eu começara, ainda em criança, a abafar minha própria voz.
Colette Dowling em Complexo de Sabotagem.

3 comentários:

Fran disse...

Oi amiga,

Que bom ver vc firme na luta é isso aí,

Beijos e boa semana!

Areta disse...

Amei a postagem! Amei mesmo!
Boa semana pra vc amiga, obrigada pelos comentários!

beijosssss

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny

Os 11 mandamentos da FLY (Finally Loving Yourself) Fonte: Chega de Bagunça
1. Mantenha sua Pia Limpa e Brilhando.
2. Vista-se toda manhã, mesmo que você não sinta vontade. Não esqueça de colocar os sapatos (de amarrar).
3. Faça suas Rotinas da Manhã e as Rotinas da Noite (aquela antes de ir para a cama) todos os dias.
4. Não deixe o Computador te distrair(Ops!!!).
5. Observe as suas atitudes. Se você tirou algo do lugar, coloque de volta.
6. Não tente fazer dois projetos de uma vez. UM TRABALHO POR VEZ.
7. Não tire para fora coisas que você não pode devolver em menos de 1 hora.
8. Faça alguma coisa por você todos os dias. Talvez a cada manhã ou noite.
9. Trabalhe o mais rápido que você puder. Isto te dará mais tempo para se divertir.
10. Sorria, mesmo quando você não estiver disposta. Um sorriso é contagioso. Faz sua mente ficar feliz e você será feliz
11. Não esqueça de rir (gargalhar) todos os dias. Mime-se. Você merece isso!!!