domingo, 5 de dezembro de 2010

Ambiência

"A gente está criando uma ambiência para a mudança." José Mariano Beltrame


Notícias do FRONT

O muro divide. Do lado de cá, chegam notícias do front.
A empregada doméstica faltou três dias seguidos. Fato inusitado. Ela é querida. Parte da família. Profissional de primeira, séria, responsável, trabalhadora. Nunca deixara de avisar e de justificar ausência. Era estranha a falta de notícias. Mensagens, recados, inquietação: a patroa agitava-se. Finalmente, Glória voltou ao batente e se soube o que ocorrera. Caíra numa depressão súbita e devastadora, a que dera outro nome: doença dos nervos. Chegando em casa, sexta-feira, na favela, esperava-a, espetada na grade do portão, a cabeça do vizinho, dono da pequena oficina improvisada na esquina.
Mais calma, Glória recobrou a acuidade e foi capaz de uma análise surpreendente: além do abalo provocado pelo grotesco, além do sofrimento suscitado pela empatia humana, tanto quanto a ferida produzida pela perda de um amigo, havia também e intensamente o sentimento de vergonha, vergonha da comunidade, do lugar, de morar num lugar em que aquela barbaridade se praticasse. Era como se ela própria e sua família estivessem contaminadas por aquela doença medonha. Relatar o episódio a tornaria cúmplice, involuntariamente, expondo-a à degradação moral. Fechou-se em casa para expiar a dor, mas também para furtar-se a narrar o inenarrável, o inabordável, aquilo que só se conta, contaminando-se.
Do lado de lá vê-se melhor o muro, que é imperceptível aos moradores da cidade afluente, e intangível para os navegadores de primeira viagem. É de lá que vêm as histórias ausentes das coletâneas de Nelson Rodrigues. O Brasil que nosso maior dramaturgo narrava era outro, mais ingênuo - a crueldade raramente transbordava o risco do bordado familiar. As tramas cariocas desse início de século XXI são diferentes. Como a de dona Selma e suas filhas. Sua grande frustração é privar suas filhas da festa de casamento. Uma a uma, elas se casam em segredo. E comemoram resignadas sua felicidade clandestina. Selma conta que a grande festa que preparou para o primeiro matrimônio foi interrompido a bala. Os traficantes que dominavam a favela invadiram o salão, armados, humilharam os noivos e as famílias, e destruíram o cenário da celebração. Aquela lição serviria para toda a comunidade. Festas, só com autorização e participação dos donos do morro. Despotismo e violência arbitrária; ódio, impotência e medo, os males do Brasil são.
É  preciso dizer mais? Está tudo aí, resumido, tudo que, no fundo, importa. Mas se alguém ainda sente falta de confirmação, registro-a pela via indireta de uma ressalva:
Conheci uma pessoa que, na empresa em que trabalhava, era a única moradora de favela que não hesitava em revelar o endereço. Orgulhava-se: "Na minha comunidade, só morre quem merece."

A lei e a justiça faltam, sempre. A escolha reduz-se à opção entre a tirania do tráfico e o arbítrio dos justiceiros. Há também o despotismo da polícia, mas esse assunto fica para depois.

Fonte: Cabeça de Porco de Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athayde

José Mariano Beltrame, no Terra:
"Nós queremos o território, para tirar aquelas armas, aquelas drogas, aquela cultura do tráfico de perto das crianças, de toda uma geração que está vindo aí. E acabar com o cinismo do estado, de que não põe médico ou professor ali porque não pode entrar. O estado se libertou dessa responsabilidade usando cinicamente esse argumento. Fiquei muito feliz em ver a Prefeitura do Rio tão rapidamente realizando serviços. O secretário vai fazer seu trabalho lá, mas vai chegar um momento em que eu vou dar o serviço como pronto, como já está em três lugares. Tem que ficar claro que não é o policialzinho da UPP que vai segurar tudo sozinho. A gente está criando uma ambiência para a mudança."

domingo, 28 de novembro de 2010

Nem toda motivação vale a pena

Uma garota acima do peso, humilhada,

Emagrece e se vinga de seus agressores.

E estraga sua vida para sempre.


Muito triste

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C.S.I. Miami: Season 8 - Ep. 19: Spring Breakdown

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou,
não me convidem a ser igual,
porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras,
Não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma prá SEMPRE!

Clarice Lispector

domingo, 17 de outubro de 2010

Ditadura civil?

Terra: Mas você sente medo?

Sheila: Eu tenho medo? Não. Eu sou dona de um fato e de um relato. Só. Não sou eu que tenho que ter medo, vou te responder com uma pergunta: Eu estou na ditadura militar ou a ditadura militar já acabou no Brasil?

domingo, 10 de outubro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Voto Consciente

- Pai, uns amigos meus estão de saco cheio. Vão votar no Tiririca!


Quando a Gabi, minha filha, disse essa frase durante o jantar, um filme se passou em minha mente.

Já se foram 21 anos desde que eu – aos 32 anos de idade – exerci meu direito de votar para Presidente pela primeira vez. Com as eleições de Fernando Collor em 1989, FHC em 1994 e 1998 e Lula em 2002 e 2006, só tive cinco oportunidades para praticar o voto. Parece pouco, não é? E este é o primeiro ano que a Gabi vai votar.

Expliquei que votar no palhaço Tiririca não é protesto coisa nenhuma. Nem mesmo gozação. Tiririca estava em seu canto quando um partido oportunista à cata de gente conhecida que rendesse votos foi procurá-lo.

Às favas com ideologias, valores e convicções, queremos é voto! Quem votar no Tiririca (e dizem que ele terá dois milhões de votos!) estará elegendo não só o palhaço, mas um monte de desconhecidos!

Se você quer saber como isso funciona, leia emhttp://www.portalcafebrasil.com.br/forum/politica/com-quantos-votos-se-elege-um-deputado.

Votar no palhaço, na cantora, no boxeador ou no ex-jogador de futebol, assim como votar nulo ou em branco, não é protestar. Só é possível protestar "contra tudo que está aí" se você votar em gente decente. E se você não sabe quem é decente, entenda uma coisa: o problema é seu!

Não adianta dizer que nada presta, que todo candidato é bandido. Isso é estupidez. Faça como você faz quando quer comprar um automóvel: pesquise, vá atrás, pergunte, compare. Existem centenas ou milhares de candidatos bons, honestos e dispostos a limpar a lama da política. São esses que merecem os nossos votos de protesto. De novo: se você não sabe quem são esses candidatos, o problema é seu!

E completei: Gabi, eleições são o momento em que você precisa seguir seus valores e convicções. Você tem vontade própria, não é uma máquina a serviço de um partido ou de uma ideologia. Você tem direito a escolher o que julgar melhor para você e para o país. Mas faça essa escolha de maneira consciente. Examine todos os lados. Cuidado com as unanimidades e com as certezas absolutas. Cuidado com quem promete o céu no futuro provocando o inferno no presente. Cuidado com quem transforma convicções políticas em fervor religioso. E jamais - eu disse JAMAIS! - troque sua liberdade por um punhado de dinheiro no bolso.

E finalizei: quando diante do bombardeio de notícias e opiniões, faça sete perguntinhas:

1. Quem criou essa mensagem?
2. Que técnicas criativas foram usadas para chamar minha atenção?
3. Se eu não fosse quem sou, não morasse onde moro, não tivesse a educação que tive, como é que eu entenderia essa mensagem?
4. Que valores, estilos de vida e pontos de vista estão representados ou foram omitidos dessa mensagem?
5. Por que essa mensagem está sendo enviada?
6. O que defende, o que propõe esse canditado?
7. Sua proposta beneficiará o coletivo de forma abrangente e de fato possível?

Essas sete perguntas criam um estado de alerta para as armadilhas marqueteiras dos profissionais de comunicação a serviço dos partidos e candidatos. Com elas não garantimos nada, claro, mas ajudamos a fazer com que "pior que tá num fique" (sic).

E quer saber? Acho que cumpri meu papel. Acho... mas cumpri o meu papel.

Pense.

Reflita.

Vote consciente. Especialmente quanto àqueles que legislarão por mim e por você: deputados e senadores!

Ah, e vale a pena lembrar: Presidente (e Governador) NÃO GOVERNA SOZINHO... MAIS UMA VEZ atentem-se aos "legisladores"...

Alguém os elegem e esse alguém é eu, é você.

Fonte: desconheço o autor, recebi mensagem por email.

sábado, 18 de setembro de 2010

Superação

Tenho medo de cachorros de todos os tamanhos.
Segurei meu medo, para tirar uma foto com a Nina

Os 11 mandamentos da FLY (Finally Loving Yourself) Fonte: Chega de Bagunça
1. Mantenha sua Pia Limpa e Brilhando.
2. Vista-se toda manhã, mesmo que você não sinta vontade. Não esqueça de colocar os sapatos (de amarrar).
3. Faça suas Rotinas da Manhã e as Rotinas da Noite (aquela antes de ir para a cama) todos os dias.
4. Não deixe o Computador te distrair(Ops!!!).
5. Observe as suas atitudes. Se você tirou algo do lugar, coloque de volta.
6. Não tente fazer dois projetos de uma vez. UM TRABALHO POR VEZ.
7. Não tire para fora coisas que você não pode devolver em menos de 1 hora.
8. Faça alguma coisa por você todos os dias. Talvez a cada manhã ou noite.
9. Trabalhe o mais rápido que você puder. Isto te dará mais tempo para se divertir.
10. Sorria, mesmo quando você não estiver disposta. Um sorriso é contagioso. Faz sua mente ficar feliz e você será feliz
11. Não esqueça de rir (gargalhar) todos os dias. Mime-se. Você merece isso!!!